Há quase um mês lancei a minha candidatura à Câmara Municipal de Vila do Porto. Desde aí, muitas têm sido as reações. Naturalmente, umas pela positiva e outras nem tanto.
O ponto mais notado pela negativa tem sido a idade: a falta de experiência e o receio da falta de preparação pessoal, parecem ser as maiores preocupações. Vou tentar abordar estas duas.
Desde logo, que se note que existe uma clara contradição entre aquilo que se ouve sobre a participação política dos jovens. Quem já disse «os jovens estão desinteressados», também é capaz de dizer «os jovens não estão preparados», quando confrontado com uma candidatura jovem. Afinal, queremos ou não jovens candidatos? Estou certo de que quem usa esta retórica é quem faz parte dos instalados que estão bem com a atual situação, não querendo ver nenhuma alteração a ser feita. Estes receios não são para zelar pelo bem comum, mas sim para salvaguardar as suas posições pessoais.
Termos jovens candidatos é uma lufada de ar fresco quer pelas ideias novas, quer pelas novas formas de transmiti-las. A energia, dinâmica, ousadia e inquietação da juventude são, naturalmente, fonte de receio para os instalados. No entanto, e que se desengane o leitor, não defendo de forma alguma que tudo o que é dito pelos jovens é correto, nem que a experiência deva ser desvalorizada. Digo antes que os jovens, como qualquer outra faixa etária, não possuem uma ideologia comum, mas sim uma atitude, em geral, transversal. Afirmo antes que precisamos de encontrar um equilíbrio entre a ousadia e a experiência, para que consigamos avançar.
Por outro lado, temos a questão pessoal. Pessoalmente, como já protagonizei outra candidatura, sinto-me capaz de aguentar mais uma. Mas mesmo que fosse a minha primeira, como já foi a outra, só a ousadia e determinação para se chegar à frente, mesmo sabendo do cenário de bipolaridade que falei anteriormente, já demonstra a capacidade para enfrentar toda uma campanha desgastante e um processo burocrático que é capaz de colocar nervos à prova. Ninguém dá este passo sem pensar duas vezes. Quanto mais não seja para equacionar aquilo que se pode perder. Poderão existir represálias? Não são poucas as vezes que esta justificação surge.
No entanto, a esperança existe sempre. O apoio também é forte. Apoio quer daqueles que se reveem no nosso projeto, quer daqueles que ficam felizes por ver que a pluralidade democrática está bem assegurada por alternativas credíveis e consistentes.
Não nos podemos esquecer para que serve uma campanha. Não estamos aqui para dividir lugares em cargos públicos, mas sim apresentar propostas e uma visão que depois é avaliada pelos eleitores. Uma candidatura política é, antes de tudo, um conjunto de causas e visões.
Dizer-se mais merecedor do voto por ser do partido x ou y, não faz sentido nenhum, mesmo sendo esse o partido do executivo ou de algum que já lá esteve. A democracia faz-se com as urnas a começarem vazias, para que todos os eleitores possam escolher a melhor solução entre todas as alternativas.
A mim, como a qualquer outro candidato, cabe a responsabilidade de expor a linha programática e aos eleitores cabe a decisão de escolher qual o projeto que merece a sua confiança.