Um movimento transversal

Hoje mais do que nunca, quando olhamos à nossa volta, apercebemo-nos da nossa diversidade. Vivemos num mundo interligado, onde pessoas de diferentes origens e contextos se cruzam, onde ideias são capazes de atravessar o globo.

Este facto traz-nos a alegria de celebrar a pluralidade e a diferença, mas não nos esqueçamos do reverso da moeda: em momentos de mudança existe sempre uma resistência proporcional. Se é mais fácil conhecermos pessoas e comunicar, também o é espalhar o ódio.

Na luta pelo progresso social, onde se engloba a igualdade de género, a defesa das pessoas LGBT, o combate ao racismo e xenofobia, a liberdade religiosa ou a inclusão das pessoas portadoras de deficiência, vemos minorias e maiorias que são discriminadas e marginalizadas. No entanto, transversalmente a todos esses indivíduos existe algo que também os une: a sua exploração pela sociedade capitalista. O capitalismo está do lado do lucro. Se ele estiver na promoção da discriminação, assim será, se estiver na aceitação da diferença, assim será. Não somos todos explorados por igual, mas todos o somos.

Até aqui parece que estou a introduzir um pensamento dedutivo com uma conclusão extraordinária. Como não sou pessoa que gosta de desiludir, deixo já aqui o ponto chave: só com uma frente transversal a todos os movimentos que falei anteriormente, aos quais se junta quem com eles concorda, mesmo não sendo um visado direto, é que conseguiremos uma verdadeira mudança na sociedade.

As lutas não são independentes. Se entre si mais óbvia é a sua relação, pelo que já foi antes dito, a sua relação com o anticapitalismo é necessariamente igualmente estreita. Não falamos de fazer uma manta de retalhos de pessoas, mas de organizar um movimento capaz de pensar e tirar vantagem da sua diversidade.

Quando jovens opinam sobre políticas para idosos, quando gays falam sobre o aborto, quando marienses falam sobre a Terceira, temos não só uma troca empática de posições, como também uma perspetiva externa à temática. Todos os assuntos podem ser discutidos por todos, sem ser necessário desvalorizar os entendidos e quem está familiarizado com o assunto.

Em termos partidários, nós encontramos esta noção no Bloco de Esquerda, por exemplo. Contudo, desengane-se o leitor, não estou a afirmar isto em jeito de propaganda. Nem esta é uma caraterística única do Bloco, como deveria ser algo geral. A Iniciativa Liberal, antípodas económico das políticas bloquistas, possui um pensamento semelhante, não reconhecendo, no entanto, logicamente, a vertente anticapitalista.

Aquele que me parece ser um sinal óbvio dessa postura é a inexistência de juventude partidária. Porque precisam os jovens de ser segregados para uma plataforma à parte? Para uma plataforma onde podem ser reproduzidos os principais vícios que fazem muita gente descrer na política. O lugar dos jovens é no lugar dos outros todos, o espaço de discussão é de todos. Para falarmos sobre os assuntos não temos de ter respostas, ninguém sabe tudo, podemos ter perguntas.

O importante é que estejamos juntos e unidos, sem deixar ninguém para trás. Precisamos de dinamismo. Não puxemos cada um para seu lado. Vejamos o que nos une e façamos um esforço para constituir uma frente unida e forte!