Uma esquerda para os Açores

 No próximo sábado, dia 5, vai decorrer em São Miguel a VII Convenção Regional do Bloco de Esquerda Açores. Trata-se de mais um momento de discussão dentro do único partido parlamentar de esquerda. 

Este é, portanto, um momento crucial para se refletir sobre o atual contexto político, marcado por uma mudança no poder executivo e um novo balanço de forças na Assembleia. Ser o singular representante institucional da esquerda açoriana é uma responsabilidade acrescida àquela que já é o peso de representar da melhor forma os interesses açorianos.

A esta convenção apresenta-se uma moção de orientação global, sendo subscrita, em primeiro lugar, pelo atual coordenador regional, António Lima. Este é, naturalmente, o documento orientador que será aprovado nesta reunião magna e norteará a ação bloquista durante os próximos dois anos.

Sob o mote «Combater as desigualdades, construir o caminho à esquerda», a moção apresenta os principais eixos programáticos a serem tidos em conta. Desde logo, um combate à crise gerada pela pandemia e que aumenta ainda mais as desigualdades existentes. Sendo já os Açores uma região extremamente desigual, este é um desafio que cada vez ficará mais urgente ultrapassar. Para isso precisamos de uma resposta que zele pela defesa do rendimento das famílias, da contribuição justa dos que mais ganham, de uma escola pública fortalecida, um serviço regional de saúde robusto, … Esta é uma crise com muitas caras, que afeta muitas áreas. Temos de ter um plano a sério para enfrentá-la.

Não serão mercados financeiros desregulados nem privatizações que nos salvarão, mas antes um estado social transparente e justo a par de uma intervenção pública estratégica.

Uma região voltada para a ciência e tecnologia que aproveita e explora os seus próprios recursos de forma sustentável e responsável. Uma região que protege a sua natureza, almejando ser um baluarte da sustentabilidade ecológica. Uma região turística, mas que não se subjuga aos interesses do mercado, nem permite uma dependência económica deste setor.

Precisamos de uma região onde os trabalhadores são respeitados, onde os programas ocupacionais ou programas de estágios não são usamos como formas de exploração. Onde os contratos precários são trocados pela estabilidade financeira tão necessária para o desenvolvimento de qualquer família e indivíduo. É urgente defender quem trabalha sem medo de fazer frente às elites económicas.

É necessário tornar os Açores uma região progressista, onde políticas feministas, LGBT+, antirracistas, antixenofóbicas e anticapacitistas sejam adotadas e valorizadas devidamente. Onde o patriarcado é substituído por uma sociedade justa, acabando com a vulnerabilidade que é infligida às mulheres e que leva várias vezes à violência doméstica. Só quando se dá visibilidade aos problemas se obtêm as soluções, precisamos de tirar os problemas sociais do armário!

Não esquecer, claro, o necessário aprofundamento da autonomia açoriana. Uma lei das finanças que proteja os interesses da região e uma lei do mar que consagre os Açores como o centro da decisão no que concerne à exploração dos seus recursos marinhos.

O Bloco foi e é pioneiro em muitas destas lutas. Mais que um partido, é um movimento popular em crescimento que se tornou, ao longo da última década, numa voz incontornável na defesa dos e das açorianas e açorianos. Aguardemos por esta convenção com expectativa, porque a cada dia que passa o Bloco torna-se cada vez mais essencial.