Drogas, álcool, tabaco, café, sexo, jogo, redes sociais, comida, poder, etc., são algumas das dependências que encontramos na sociedade e que têm impacto social, económico e emocional.
Neste mundo das dependências é fundamental que se faça uma viagem e uma reflexão sobre os motivos que levam alguém a experimentar e a ficar viciado nestas substâncias e atividades.
Por um lado, é importante realçar que o que as torna suscetíveis a dependência é a sensação que provocam, fruto da libertação de dopamina e endorfinas -responsáveis por sensações de motivação, conforto e afeto.
Mas numa sociedade com índices desmotivantes e com uma realidade que exige muita resiliência, o trabalho no combate às dependências acaba por esbarrar na grande trapalhada das políticas instituídas que conduziram a este cenário.
Mas isto significa que não há nada a fazer e que vamos baixar os braços? Claro que não! Isto significa que é preciso mudar a realidade à nossa volta e isto só é possível com políticas e escolhas diferentes.
Mas vamos a dados: segundo o Eurostat, os jovens portugueses são os que mais tarde saem de casa dos seus pais; o ranking do Banco Central Europeu coloca Portugal em último lugar no que respeita a literacia financeira; e Portugal mantém a terceira maior dívida pública da União Europeia.
Um país com dificuldades de gestão financeira e que não promove os alicerces fundamentais para se fazer diferente é um país que terá muita dificuldade em se alavancar e a potenciar os seus residentes.
Como podem os jovens sair de casa dos pais quando a precariedade laboral é a sua realidade? Como podem sair de casa com baixos salários que, associados à precariedade, os inibe de aceder a um crédito bancário? Como podem sair de casa com as rendas a representar um esforço mensal de mais de um terço do ordenado? Como podem sair de casa sem ter um fundo de emergência? Como podem sair de casa sem conseguir uma poupança? E como podemos sair de uma dívida pública se não há investimento público inteligente que nos permita sair deste poço sem fundo?
E o que tudo isto tem a ver com o mundo das dependências? É que não é possível combater um problema ignorando as bases que o provocam.
Um estudo do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências revelou que um em cada quatro jovens portugueses, entre os 13 e os 18 anos, manifesta dependência relativamente ao jogo e às apostas a dinheiro. Nos Açores dominam as apostas desportivas, lotaria e ‘slot machines’. E porquê? Porque é efetivamente a ideia de se alcançar a sorte grande, de se conseguir a tão esperada liberdade financeira, que faz com que estes jovens arrisquem o pouco que têm. Mas as probabilidades deste modelo resultar falam por si!
Quando se começa a construir uma casa pelo telhado, tem-se sempre problemas com os alicerces. Por isso, mais do que esperar que a sorte nos calhe, é preciso motivação e foco para alcançar os nossos objetivos e exigir politicamente que a nossa casa comum seja bem gerida!