Anteriormente, já falei sobre os estudantes deslocados, mas não aprofundei aquela que foi a experiência de passar um ano em pandemia, que afetou, aliás, todos os estudantes. Vou tentar fazer isso agora. Como só sou uma pessoa, só tenho uma perspetiva, que é de alguém que acabou agora o 1º ano da Licenciatura em Física na Faculdade de Ciências na Universidade do Porto, mas penso que muitos aspetos são transversais.
O ano letivo 2020/2021 foi o primeiro realizado inteiramente em tempos de pandemia. Desse facto resultam vários obstáculos que em muito podem ter comprometido o sucesso académico.
Desde logo as aulas foram lecionadas num regime misto, ou seja, aquelas que são de natureza teórica foram tidas à distância e as restantes, teórico-práticas ou práticas, foram presenciais. Isto levou a que muita gente não conseguisse acompanhar a componente teórica. Penso que foi especialmente dramático para quem entrou pela primeira vez no ensino superior, uma vez que não estando habituados a métodos de estudo mais intenso, isso levou a que ficássemos perdidos e desorientados.
O meu primeiro semestre foi salvo porque, apesar da concentração escassear nas teóricas, nas presenciais era possível trabalhar os conteúdos e colocar as dúvidas de forma fluída.
Mesmo tendo obtido sucesso no primeiro semestre, a realidade do segundo não se apresentou fácil. Além de ainda não ter afinado o método de estudo, apareceram cadeiras mais trabalhosas, que requereram muito do tempo disponível. Bem podem dizer que uma boa gestão do tempo seria a salvação. E efetivamente é, no entanto logo no início desse semestre fomos confinados e mandados para as nossas casas. De fevereiro a abril todas as aulas que tive, independentemente da sua natureza, foram à distância.
Se nas teóricas já não me conseguia concentrar, muito pior foi naquelas que são planeadas para serem dadas presencialmente. O meu primeiro semestre foi salvo por algo que só existiu no último mês do segundo. Basicamente, isto fez com que a pouca motivação e esforço que se herdou do primeiro semestre fosse desaproveitado por uma ainda maior desorientação.
Não quer isto dizer que não existem estudantes que retiraram vantagens do ensino à distância, mas a minha experiência e de muitos que me rodeiam, afirma o contrário. Temos de saber preservar as partes boas de uma comunicação facilitada, mas reconhecendo o desgaste psicológico que acarreta.
Além da vertente académica, temos de ter em atenção que a pandemia significou uma mobilidade muito restrita. Eu saía do quarto para ir à faculdade, à cantina e às compras, essencialmente. Os momentos de convívio sempre controlados. Todos nós fizemos sacrifícios e abdicámos de coisas que gostávamos, sendo que os estudantes não foram exceção. Mais uma vez, penso que isto foi mais intenso para alunos do 1º ano: caímos de para-quedas e sem a possibilidade de nos integrarmos, podendo ter levado a que houvesse um sentimento de solidão.
É certo que sabemos que no ensino superior nos temos de desenrascar por nós próprios, mas este ano fizemos mais que isso. Todos os estudantes, em especial do 1º ano, que tenham chegado ao fim de 2020/2021 e decidido continuar no ensino superior já estão de parabéns.