O projecto de instalação de incineradoras nas ilhas Terceira e São Miguel é “um negócio obscuro que está a ser preparado nas costas das pessoas, e que vai dar muito dinheiro a alguém”. A acusação é da candidata do Bloco de Esquerda à autarquia da Ribeira Grande, Zuraida Soares, que, após visita efectuada esta manhã ao EcoParque de São Miguel, em conjunto com a candidatura do BE a Ponta Delgada, reiterou que o Bloco defende a realização de referendos locais, nos vários concelhos destas duas ilhas, para que as pessoas possam escolher se querem, ou não, a incineração.
“O Bloco entende que deve haver um debate alargado sobre esta matéria, e que as pessoas devem ter oportunidade de escolher se querem, ou não, estes monstros de comer lixo, que têm que ser alimentados incessantemente durante todos os dias do ano”, disse a candidata.
Jorge Kol de Carvalho, candidato independente que concorre à autarquia de Ponta Delgada na lista do BE, salienta que a incineração é uma péssima solução ambiental e económica e aponta alternativas: “A criação de um centro de triagem, o tratamento biológico e mecânico, e a vermicompostagem”. Processos mais sustentável, amigos do ambiente, que criam mais postos de trabalho, e que permitem a produção de biogás.
Por todas estas razões o BE entende que este é um negócio obscuro: “Alguém vai ganhar muito dinheiro com isto: no transporte inter-ilhas do lixo, no combustível para os barcos, no armazenamento e recolha do lixo”, alertou Zuraida Soares, acrescentando que “o nome de quem vai ganhar este dinheiro paira nas cabeças de todos”.
A intenção do Governo Regional de vir a incinerar todos os resíduos é contraditória com o Plano Estratégico para a Gestão de Resíduos que o próprio executivo elaborou, referiu o candidato do BE.
Se nada for feito, “os Açores arriscam-se a ser a única região do mundo em que o principal produto de exportação é o lixo, que terá que ser transportado entre ilhas”, lamentou Zuraida Soares.