Os candidatos do BE à autarquia de Ponta Delgada juntaram-se esta tarde na margem da lagoa das Sete Cidades para denunciar o atentado ambiental e económico que são as infraestruturas de apoio a comércio e serviços ali recentemente construídas. “A este projecto foi chamado requalificação, mas na verdade isto é um total desrespeito pelo ambiente das Sete Cidades”, disse o candidato independente que concorre pelo BE à autarquia de Ponta Delgada.
Jorge Kol de Carvalho salienta que as valências construídas “nunca foram necessárias”. Situação comprovada pelo facto de não estarem a funcionar. Houve um concurso público para ocupar os espaços comerciais, mas só apareceram três concorrentes: dois foram desclassificados, e o terceiro desistiu.
O candidato independente que concorre pelo BE diz mesmo que estas infraestruturas são “mais um elefante branco” – à semelhança do casino e centro comercial da Calheta e de alguns hotéis em São Miguel – que vão fragilizar a economia local das Sete Cidades: “os dois restuarantes que existem actualmente, por exemplo, terão mais dificuldades em sobreviver quando abrir aqui um terceiro”.
Comparando a “requalificação” das margem da lagoa das Sete Cidades com a actual situação da Calheta, o candidato do BE encontra apenas uma vantagem neste caso: “é mais fácil retirar isto tudo daqui”.
Kol de Carvalho criticou ainda o projecto de habitações a custos controlados da Sete Cidades, para o qual não há interessados – devido ao seu elevado valor – e que, mais tarde ou mais cedo vão acabar por ser residências de férias para quem o possa pagar. Este não é o objectivo da habitação social.
O candidato recordou situações de enorme imoralidade em outros empreendimentos de habitações a custos controlados: “na Piedade Jovem, há casais que contraíram um empréstimo para dar o sinal para a aquisição da casa, mas hoje, não têm casa e estão a pagar o empréstimo ao banco”. A autarquia de Ponta Delgada, dona da obra, desligou-se do problema, e deixou o empreiteiro e as pessoas às ‘turras’.