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Bloco aponta habitação e transportes como principais problemas a resolver em Ponta Delgada em debate sobre o “estado do concelho”

A deputada municipal do Bloco de Esquerda considera que Ponta Delgada pode ser um paraíso para quem tem bons rendimentos, mas para a maioria da população “a vida não é fácil” principalmente pelas dificuldades colocadas ao nível da habitação e transportes. Na assembleia municipal dedicada ao debate sobre o estado da cidade e das freguesias, ontem, Avelina Ferreira disse que “a falta de habitação disponível a rendas acessíveis é um flagelo” e que os transportes públicos são muito caros e têm “horários deficientes”.

Para dar resposta à dificuldade de acesso a habitação Avelina Ferreira considera que “é urgente a reabilitação de edifícios degradados e a construção de centenas de fogos habitacionais para que tenhamos um sistema saudável de habitação pública com rendas proporcionais aos rendimentos familiares, tal como encontramos em grande número de cidades europeias”.

Relativamente aos transportes, a deputada municipal defende que é urgente “criar condições para que o uso de transportes públicos seja uma preferência dos residentes em detrimento do uso de automóveis”.

Neste sentido, o Bloco de Esquerda defende que o uso dos minibus deve ser tendencialmente gratuito e defende também a construção de um terminal de autocarros e a interligação entre transportes urbanos e interurbanos.

“Houve estudos e planos para este efeito. Lamentavelmente, a avenida marginal continua a servir de terminal de transportes públicos dando uma pobre imagem a quem nos visita e aos residentes que querem desfrutar daquele espaço”, assinalou.

Avelina Ferreira considera ainda importante a negociação entre a autarquia, o governo e as empresas de transporte para permitir a redução de preços e a possibilidade de serem comprados passes diretamente em todas as freguesias.

A deputada do Bloco abordou ainda a questão dos resíduos, insistindo na importância de se avançar para a recolha seletiva porta-a-porta em todo o concelho e de se aumentar a frequência da recolha de resíduos na baixa da cidade.

Avelina Ferreira mostrou grande preocupação com o facto de as juntas de freguesia dependerem principalmente de trabalhadores ao abrigo de programas ocupacionais para cumprir as suas responsabilidades permanentes: “Este problema existe” e “não é justo para quem trabalha, nem sustentável a longo prazo”, disse.

Relativamente ao futuro do concelho, a deputa municipal defendeu que “a Câmara Municipal não deve continuar a dar licenças de construção a hotéis de grande capacidade, como se assiste nas Capelas e em São Vicente Ferreira”, porque “estes projetos e outros similares não se coadunam com uma visão turística adequada à dimensão do nosso concelho e à preservação da nossa orla costeira”.

“Se assim continuarmos, corremos o risco de um aumento da massificação turística, da erosão do nosso meio ambiente, e do abuso dos nossos recursos”, alertou.