Trata-se de uma estratégia concertada de manipulação dos sentimentos viscerais das pessoas: “ricos sempre os tivemos, e sempre trabalhámos para eles — mas vir aquele tipo e passar-me à frente é que não!”. Nos Açores, e não só, estas retóricas só servem para iludir as pessoas.
Assim, de uma penada, o governo regional de direita tornou-se um Robin dos Bosques ao contrário: tirou dos mais pobres para dar aos mais ricos, arrombando as contas públicas pelo meio.
São corpos colocados à margem, passíveis de serem violentados, por uma norma que os marginaliza. A perversidade de se querer excluir um corpo, mas mantendo-o, sem a possibilidade de inclusão nem de indiferença.
Numa época em que a lei parece ser a da força, cabe-nos — cabe-vos — defender os direitos humanos e o direito internacional. Estamos atentos. Tenham coragem.
A liberdade que temos nas urnas consiste na possibilidade de escolher entre vários quadrados no boletim de voto, menos partidos são menos opções, mas para haver partidos são necessárias pessoas. Os partidos são rostos, mas mais do que a sua soma. A liberdade que cedemos é parcialmente retomada quando nos juntamos à construção.
Todos colocaram à frente do respeito pelo direito internacional o respeitinho pela grande superpotência mundial. Nenhum será especialmente adepto de Trump e da sua forma de ameaçar o mundo dia sim, dia não, mas dobram-se perante o seu poder sem esboçar uma palavra.